Mostra Artística do Congresso toma o Prado, rua central de La Paz

Neste domingo, dia 19, a tradicional Feira do Prado, na região central de La Paz, agregou em sua programação diversas manifestações culturais latinoamericanas dentro da Mostra Artística do I Congresso Latinoamericano Cultura Viva Comunitária. Ao longo da via, a principal da cidade, grupos de teatro, dança, música, artes plásticas, dentre outras diversas manifestações artísticas, dividiam espaço com as barraquinhas de artesanato local, oficinas de brincadeiras infantis, comidas. Os grupos se apresentavam em palcos montados em pontos distintos da via ou em cortejos populares, como o placo montado em frente à Basílica de Maria Auxiliadora, que recebeu vários grupos teatrais, como o do Coletivo Teatro-Trono, de Cochabamba – que já havia participado dos Assaltos Poéticos do dia 18 e voltaram a se apresentar com o espetáculo “Em construção” na feira dominical. O grupo arrastou o público em um cortejo que foi até a Praça Antônio José de Sucre, onde estava montado o palco-móvel da Fundação Compa, pelo qual passaram, dentre vários coletivos, o grupo percussivo argentino Bum Batuke. “É um sonho que se tornou realidade estar aqui reunido com tantos companheiros nesse evento histórico para a cultura latino-americana”, pronunciou aos presentes Pablo Alfaro, integrante do coletivo de Buenos Aires.

Próximo ao palco do Compa, os peruanos do coletivo Ramón Collar montaram seus painéis de madeira e apresentaram uma intervenção artística que envolve pintura em murais públicos. “Entendemos a pintura como poder de transformação social, através do poder das imagens”, explicou Leonel Munõz, um dos integrantes do coletivo de Lima. “Esse encontro em La Paz é importante para que os grupos culturais latino-americanos se articulem e se fortaleçam”, completou.

Os grupos brasileiros concentraram suas atividades no entorno do Hotel John Wesley, onde está hospedada boa parte da delegação. Já na calçada em frente ao hotel pode-se conferir a intervenção da Biblioteca Itinerante Barca das Letras, do Amapá, Região Norte do Brasil. Livros sobre a cultura popular brasileira e peças do artesanato amazônico foram espalhados pela calçada e ficaram disponíveis gratuitamente para quem quisesse adquirir. “Nós trabalhamos com atividades de leitura para população ribeirinha da região amazônica. Oferecemos esse trabalho voluntário para comunidades muito isoladas, nas quais raramente vai alguém oferecer alguma atividade cultural”, explica Jonas Banhos, representante do projeto. “A ideia é levar parte de acervo bibliográfico para a comunidade quilombola Mururata, que visitaremos no dia 22, dentro da programação do congresso”, completa ele.

Também foi da entrada do hotel John Wesley que saiu o cortejo afro do Ilu Oba e onde se concentrou o grupo paulista Oca Escola Cultural, que apresentou suas atividades voltadas para a cultura popular infantil através de oficinas e apresentações musicais. “O mais importante nesse encontro é a possibilidade de juntos criarmos políticas culturais que abarquem todo o continente sul-americano”, disse Vera Cristina Ataíde, coordenadora do projeto Oca. Mais adiante, na altura da entrada do Mercado Camacho, pode-se conhecer um pouco mais de projetos ligados à comunicação comunitária, como o trabalho da Rede Audiovisual de Comunicação Alternativa, que oferece oficinas ligadas à democratização da comunicação em escolas de três municípios bolivianos, La Paz, El Alto e Viacha. “Trabalhos com educação visual por que acreditamos que as crianças podem assistir criticamente a um filme, um vídeo ou uma peça publicitária, e não somente assistir indiscriminadamente a uma produção audiovisual. Acreditamos que estas crianças também são capazes de poder selecionar, com posicionamento crítico, a produção que querem assitir”, comenta Soraya Aguilar, coordenadora geral do Centro Cultural de Educação e Documentação Audiovisual.

Foi um dia de muitos encontros e intercâmbios culturais para os que passaram pelo Prado. A feira, composta por barracas de produtos da cultura popular boliviana, neste domingo ganhou um colorido multinacional. A programação artística cultural do I Congresso Latino-americano Cultura Viva Comunitária continua até a terça-feira, dia 21, em diversos pontos de La Paz e El Alto.

 

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Alexandre Silva (Ponto de Cultura Imagens do Povo, Alexandre Silva – Ponto de Cultura Imagens do Povo, Observatório de Favelas do Rio de Janeiro). A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: www.congresoculturavivacomunitaria.org/

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