Congresso de Cultura Viva Comunitária pauta integração do cinema latino

Da esquerda para a direita: Alexandre Santini, da Plataforma Puente (Brasil); Diego Mondaca, cineasta boliviano; Rosana Alcântara, diretora da Ancine (Brasil); Mela Márquez, diretora da Cinemateca Boliviana; Joseph Neyra Ramírez, do Grupo Chaski- Red de Microcines de Peru e Itziar Rubio, do Centro Cultural de España en Lima – Peru.

Da direita para a esquerda: Alexandre Santini, da Plataforma Puente (Brasil); Diego Mondaca, cineasta boliviano; Rosana Alcântara, diretora da Ancine (Brasil); Mela Márquez, diretora da Cinemateca Boliviana; Ivan Sanjinés, diretor do Centro de Formação e Realização Cinematográfica (Cefrec-Bolívia) e Joseph Neyra Ramírez, do Grupo Chaski- Red de Microcines de Peru.

“Não consumimos 98% do cinema que produzimos”, disse o boliviano Marcelo Cordeiro, da Red Microcines, durante o debate sobre o cinema latino-americano realizado neste domingo (19), em La Paz, Bolívia, nos marcos do 1º Congresso de Cultura Viva Comunitária. Para a brasileira Rosana Alcântara, diretora da Ancine (Agência Nacional do Cinema), o caminho para o fortalecimento do audiovisual passa por acordos de cooperação no continente e maior institucionalização de políticas para o setor em cada país.

Cineastas, produtores, artistas, empresários e gestores culturais de diversos países prestigiaram a mesa “Políticas continentais de cooperação e fomento da produção e exibição audiovisual: a formação de novos circuitos a partir das redes culturais independentes”. A busca por propostas concretas para impulsionar a produção e a circulação de obras pelo continente foi o centro das discussões.

A experiência da Ancine impressionou a diretora executiva da Cinemateca Boliviana, Mela Márquez. “Diferente do Brasil, nosso país ainda tem uma visão muito limitada sobre a indústria do audiovisual. Temos poucas leis que regulamentam e fomentam o setor e também pouco diálogo com o governo sobre propostas para a área. A presença da Ancine neste debate renova nosso fôlego e aponta novas possibilidades para superarmos estes obstáculos.”

O cineasta boliviano Diego Mondaca destacou que “fazer cinema na Bolívia é muito mais barato do que fazer cinema em outros países da América Latina”. No Estado Plurinacional presidido pelo indígena Evo Morales um real vale quase três bolivianos, a moeda local. “Além disso, nossas taxas e impostos são mais favoráveis para grandes produções do que as taxas e impostos de outros países.”

Diversos vídeos foram exibidos durantes o debate que abriu a Mostra de Cinema do 1º Congresso de Cultura Viva Comunitária. Trechos de documentários produzidos pelo Grupo Chaski foram comentados por Joseph Neyra Ramírez, membro da Red de Microcines do Peru. Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do rio de Janeiro), falou sobre a experiência comunitária do audiovisual e também exibiu trechos de uma série de vídeos produzidos por pontos de cultura de todo Brasil.

A programação da Mostra de Cinema contou com um panorama histórico do cinema boliviano e latino-americano, além de diversos curtas e longas metragens produzidos por redes, ações e cineastas de pontos de cultura e comunidades de diversos países.

O 1º Congresso de Cultura Viva Comunitária reuniu cerca de 1,5 mil participantes de 17 países. Inúmeros eventos culturais tomaram a cidade de La Paz ao longo do evento realizado de 17 a 22 de maio.  Além da Mostra de Cinema, foram realizados um encontro de gestores públicos e outro de universidades. Entre as ações do congresso esteve a criação de um Parlamento Latino-Americana de Cultura Viva Comunitária. A deputada federal brasileira Jandira Feghali (PCdoB/RJ) coordena o processo de articulação do parlamento.

Confira a íntegra da transmissão ao vivo aqui.

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Carla Santos. As fotos foram publicadas no Congreso Latinoamericano De Cultura Viva Comunitaria.

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